terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nem vem que não tem

Tropa de Elite 2 traz de forma clara sua proposta, com contornos ideológicos e fácil entendimento expressa uma catarse, explico; Catarse se entende por uma tragédia do teatro grego antigo, no Brasil essa Catarse que impregnamos em cultura e sangue nos persegue de maneira camaleônica, pelo fato que entre tristezas e alegrias talvez os risos de carnaval soem mais alto do que certas lagrimas de dor, e isso se reflete em Cinema Nacional, a temática é sempre ligada a Carnaval ou Tragédia, é como se definíssemos nossa autobiografia entre Belo e feio, sem meio termo, sem mais ou menos, sem quase, quero dizer nós enxergamos sofrimentos alheios como impossíveis ao nosso mundo mesmo dividindo a mesma calçada com quem de aleijo vive. Não nego o fato de que o Tropa de Elite 2 levanta uma dialética de extrema importância ao nosso país; por quem brigamos, contra quem e para quem? Talvez a arte por si só (No caso cinema nacional) não tenha tamanha força para desmascarar todos os podres e injustiças de nosso país, até agora os três milhões de brasileiros que assistiram ao filme quem sabe virão a ganhar uma visão critica um pouco mais aguçada. Voltando a questão do filme em si como obra, a segunda edição de José Padilha esta melhor elaborada, a narrativa costura com emendas quase que sem fios os traços da edição, a evolução e transformação dos personagens é algo notável e de grande enriquecimento para a obra de maneira que Fraga e Ten. Cel. Nascimento buscam um objetivo em comum, mas isso fica as cegas do publico até os 15 minutos restantes de filme quando por um luxo do destino seus medos, amores e ideais se vêem em mira de fogo “inimigo”.


A violência se traduz como diversão no Brasil de maneira que criamos um varejo de atrações.


por Pedro Urizzi em 10 de outubro de 2010